Professor pesquisa plantas em busca de novos tratamentos para doenças hepáticas e cardiovasculares

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Uma pesquisa desenvolvida na UFGD poderá fazer avançar no tratamento de diversas doenças recorrentes na vida dos brasileiros. O objetivo é averiguar se receitas populares à base de plantas da região, utilizada pelas pessoas para amenizar problemas como pressão alta, arritmias cardíacas, infecções e cálculos renais, realmente possuem atividade farmacológica comprovada.

A pesquisa é liderada pelo professor Arquimedes Gasparotto Junior, que leciona há três anos na Faculdade de Ciências da Saúde (FCS), como adjunto do curso de Medicina da UFGD. Arquimedes também coordena a pós-graduação em Ciências da Saúde. Sua área de pesquisa é a etnofarmacologia, que tem como objetivo averiguar se aquilo que a população já emprega como medicamento a partir de produtos naturais possui eficácia cientificamente comprovada.

O professor orienta atualmente 16 alunos em nível de iniciação científica, mestrado ou doutorado que colaboram com suas pesquisas. Na primeira etapa do projeto foi feito um levantamento em 13 cidades da região da Grande Dourados sobre os usos populares de ervas junto a curandeiros e outros envolvidos com a prescrição não médica de plantas tidas como medicinais. “Nós procuramos aquelas pessoas que ainda preservam conhecimentos oriundos de avós e antepassados e que passam para poucos conhecidos”, diz Arquimedes.

A técnica utilizada para identificar essas pessoas é conhecida como snowball (bola de neve). Os pesquisadores vão até um posto de saúde pública do município a ser investigado e perguntam aos agentes sobre pessoas da cidade que indiquem plantas medicinais ou fitoterápicas. Uma vez identificado um primeiro curandeiro, ele passa a indicar outras referências. “Por incrível que pareça, nós descobrimos poucos desses nas 13 cidades que pesquisamos. Então fazer essa pesquisa é até uma forma que temos de preservar esse conhecimento, divulgando cientificamente as espécies que são utilizadas”, explica o professor.

Após esse procedimento, os pesquisadores elencaram as espécies mais citadas para o tratamento de diferentes doenças renais ou cardiovasculares, dando início a uma sequência de estudos aprofundados. Primeiramente é feito um estudo anatômico e microquímico com a planta selecionada. Esse estudo tem a finalidade de identificar corretamente a espécie e fornecer padrões de controle de qualidade.

Já corretamente identificada a planta, obtém-se então os extratos, seja na forma de chás ou de acordo com a forma como é utilizada pela população local. Após o preparo, é então realizado um estudo químico detalhado. Com o uso de técnicas espectrométricas modernas, são identificados quais compostos estão presentes nos extratos produzidos.

Concluídas todas as etapas anteriores, é feito então um estudo de toxicidade em roedores para verificar a segurança no uso dessas preparações. Se as espécies forem seguras, a próxima etapa são os ensaios de eficácia, avaliando se os extratos são efetivos para controle da pressão arterial, do colesterol e da esclerose, e se protegem contra a evolução de doenças renais e cardíacas. Neste caso são utilizados animais, como ratos e coelhos.

Na última etapa, são avaliados os mecanismos celulares e moleculares envolvidos nessas atividades. Se algumas dessas espécies forem muito promissoras, só então os pesquisadores iniciam um estudo clínico com pacientes humanos. “Nós já fizemos as entrevistas com curandeiros e a coleta de todas as espécies indicadas por eles. Uma aluna de mestrado orientada por mim já fez a secagem dessas amostras. Ela monta um modelo chamado exsicatas, para identificar corretamente as espécies. Simultaneamente, outro aluno de doutorado já identificou três dessas espécies e já começa a fazer estudos mercadológicos”, explica Arquimedes.

O professor possui uma proposta esperando pela autorização do Patrimônio Genético Nacional para realizar esses mesmos estudos em Corumbá, na região do Pantanal, com a identificação de espécies ainda não conhecidas. “As espécies do Pantanal são únicas e o mundo todo olha para esse bioma – que é muito pouco explorado ainda na produção de medicamentos. Então talvez seja uma das áreas mais promissoras. Eu submeti três artigos esse ano sobre plantas do Pantanal para revistas internacionais e um deles já foi aceito em coisa de dois meses”, explica.

Dourados Agora

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