Estudantes protestam contra ameaça de extinção de cursos

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A crise financeira e o contigenciamento nos recursos do Ministério da Educação (MEC) de R$ 4,3 bilhões com corte no orçamento pode acabar com cursos de licenciatura em educação com pedagogia de alternância. Em Dourados a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) oferta dois cursos nessa modalidade – Educação do Campo e Intercultural Indígena – e não há informações sobre lançamento de novo vestibular. Isso levou estudantes a iniciar nesta segunda-feira (07) manifesto no prédio da reitoria. Eles prometem ficar por lá até a universidade os apoiarem a ir até a Brasília no mês que vem, quando haverá audiência no Ministério da Educação com a participação de alunos e professores de outras instituições do País.

Na semana passada a UFGD anunciou inscrições ao vestibular da modalidade presencial que começam dia 15. Como a pedagogia de alternância sempre foi realizada em período diferenciado, os alunos cobram a oferta dos cursos de forma simultânea aos demais. “Mas não sabemos se haverá novo vestibular para as licenciaturas em Educação do Campo e Intercultural Indígena. A própria universidade nos informou que tudo depende de um comunicado de Brasília”, disse a estudante Natália Pereira, do 6º semestre de Educação do Campo. Ela é da cidade de Sidrolândia.

Os cursos de pedagogia de alternância têm como objeto a formação de professores para, além da docência, atuar na gestão de processos educativos escolares e não-escolares. Eles atendem estudantes que não moram na cidade onde está instalada a universidade. A organização curricular destas graduações prevê etapas (equivalentes a semestres de cursos regulares) ofertadas em regime de alternância entre tempo escola e tempo comunidade.

Na UFGD, a Educação do Campo funciona em sete polos de atendimento que são realizados nos assentamentos dos municípios de Itaquirai, Ponta Porã, Nioaque, Sidrolândia, Corumbá, Itaporã e Nova Alvorada do Sul. A licenciatura Intercultural Indígena atende estudantes que residem em aldeias de Dourados e de toda a região.

A estudante Natália explica que cortes já vem sendo realizados nos cursos e o anúncio é que os alunos podem ficar apenas com uma bolsa mensal de R$ 300, insuficiente para custear as despesas de transporte, alimentação e estadia que os alunos têm quando se deslocam de suas cidades para a sede da UFGD, quando possuem aulas por um período de 15 dias consecutivos, num intervalo a cada 45 dias.

Elaine Bezerra é colega de sala de Natália e diz que os alunos prometem permanecer em protesto na reitoria da UFGD até receberem uma posição da universidade, de apoio a participação na assembleia em Brasília. Cerca de 100 estudantes compareceram ontem do movimento e a ideia é que eles montem acampamento no pátio da Reitoria.

UFGD

Segundo a assessoria da UFGD, somente após reunião agendada para o dia 23 de agosto, de análise do orçamento da universidade, a reitoria poderá dar uma resposta efetiva ao curso de Licenciatura em Educação no Campo.

Segundo o reitor em exercício da UFGD, professor Márcio Eduardo de Barros, a confirmação de todos os benefícios, bem como do processo seletivo vestibular deve haver somente depois da aprovação da PLOA (Projeto da Lei Orçamentária Anual). “Tanto que no dia 31 de julho houve uma reunião com todos envolvidos do curso, incluindo professores, e depois outro encontro no dia 1º de agosto com membros do Centro Acadêmico, onde tudo isso foi explicado”, disse o reitor em exercício.

Nos dias 26 e 28 de setembro, os estudantes seguirão para Brasília para um evento nacional onde reivindicarão junto ao governo federal a manutenção dos cursos de Educação no Campo em todo o país. A UFGD já garantiu um ônibus para o grupo de alunos.

Também é a UFGD, na figura da reitora Liane Calarge, que está coordenando nacionalmente o Grupo de Trabalho PROCAMPO na Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) em favor da manutenção dos cursos de Licenciatura em Educação no Campo no Brasil, em especial na Universidade.

 Dourados Agora

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