As irmãs gêmeas: fofoca e inveja

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Por Jackeline de Lara*

Andam de mãos dadas, nem à frente, nem atrás, circulam juntas nas famílias, igrejas, círculos de “amigos”, meio profissional, não há limites para essas duas parceiras, já que o mesmo propósito as atrai, e uma sem a outra, lhes parece impossível a sobrevivência.

É tão prazeroso conviver com aquele tipo de pessoa que não está nem aí para o que o outro faz ou deixa de fazer, desde que não esteja prejudicando ninguém. Como é comum uma pessoa recusar apoio à alguém, mesmo que não lhe cause grande esforço, só pelo fato de saber que essa atitude para a outra pessoa lhe traria grandes benefícios, e o ser egoísta, cede sempre ao seu principal prazer, encolher as mãos somente para ver o outro sofrer para conseguir aquilo que ele poderia sem sacrifício algum, lhe dar.

De sobras vive o invejoso, comendo pelas bordas, fazendo futricas, é uma necessidade tão importante para ele, quanto o respirar. Adora descobrir alguma novidade sobre alguém, desde que não seja algo bom, pois desta forma, não poderia espalhar, e denegrir, judiar, destruir.

Tenho em minha mente cenas da minha infância, adolescência, coisas cruéis que passei com minha família, e hoje posso fazer um balanço e resumidamente, tudo causado por pessoas invejosas, porém, as mais fortes foram no início do meu casamento, “familiares” entrando em minha casa, diminuindo o que tínhamos, tudo simples, adquirido com muito esforço, coisas que achávamos lindo, o máximo, os seres deixando claro o quanto eram de péssima qualidade. Quando comecei a ter os abortos espontâneos, quatro para ser exata, entre muitas frases, ouvi que não era boa para ter filhos, que nunca iria parir, era muito fraca, e até um telefonema recebi um dia após outro aborto, que era para eu parar de chorar e ser manhosa, pois meu marido precisava ter cabeça fria para trabalhar.

Muitos tratamentos, campanhas de orações em igrejas, então vieram as meninas, minhas princesinhas, aí as humilhações vinham sobre as roupas delas, calçados, festas de aniversário, brinquedos, sempre deixando claro que nada prestava, ou que de um deles era sempre muito melhor.  Assistindo vídeos, fotos, entendo o motivo que na época, eu, uma menina sem experiência, nem de longe poderia entender, hoje vejo o quanto elas eram lindas, sempre bem arrumadas, e o quanto éramos felizes da forma mais pura, que se pode viver uma família quando o amor domina, porém, toda maldade, inveja, que essas criaturas doentes levavam para dentro do nosso lar, se utilizando do “direito” consanguíneo, se utilizando da desculpa de visitar, prática muito comum entre parentes brasileiros, trouxeram sequelas, desavenças, e marcas que talvez nem o tempo apague, coisas que refletiram em nosso casamento, na infância das meninas, e que duraram uns oito longos anos, tempo suficiente para causar estragos, só não durou mais, porque nesse período amadureci 80 anos, e logo, tirei uma a uma da minha vida, existindo atualmente uma relação de conveniências, e obrigações.

O que quero dizer, é que o mal está inclusive onde não deveria de forma alguma existir, está também em pessoas que normalmente estariam em nossas vidas para somar, apoiar, ajudar a crescer, e não o contrário. Pessoas fofoqueiras e invejosas, são assassinos de paz, não te matam com uma arma, te derrubam, te ferem com o veneno de suas línguas. E eles dão sinais, observe as atitudes, normalmente são inconvenientes, querem forçar uma intimidade, dão sugestões que parecem boas, mas quando saem de perto de você coisas que você antes amava não parecem mais tão importantes, aquilo que lhe causava tanto orgulho, se torna então sem sentido, tudo o que várias pessoas elogiam em você, e você gosta, agora lhe cheira bajulação, até sua aparência e sua essência, que até então você amava, lhe causam tristeza, são verdadeiros vampiros de energia, alegria, força, fé, e amor próprio, são destruidores compulsivos da felicidade alheia, é necessário tirar pela raiz essas ervas daninhas das nossas vidas, porque só servem para minar nossas alegrias, e destruir muitas vezes nosso futuro.

No trabalho esses seres têm sempre uma frase que faz seu estômago embrulhar, enquanto sorriem para você e até te acariciam. É aquela pessoa que chega perto, e tira um sarrinho como se estivesse brincando, de preferência na frente do seu superior, é impossível para ele perder a oportunidade. No cafezinho ama contar o que soube sobre você, ou o que falaram de você (sempre algo negativo), mas nunca lhe faz um elogio, não com um final feliz.

Sobrevivem de fazer o mal, de falar mal, de pensar mal e desejar mal. Amam demonstrar religiosidade ou o quanto são vítimas da vida, são muito elevados “espiritualmente”, e os podres que têm, você só fica sabendo pelos outros, pois eles se demonstram o tempo todo serem perfeitos, acho que nem peidam.

É necessário correr destes tipos de indivíduos, correr e não olhar para trás, não valem um vintém, não valem a comida que comem, a roupa que vestem, se não puder ficar longe, em frente, fale na cara e na lata, deixe claro que sabe onde a pessoa quer chegar, e que a proíbe de se portar com você desta forma, não resolverá o problema, mas tornará seus momentos perto, menos insuportáveis.

Deve ser uma vida muito triste, a que um invejoso vive e, embora façam vítimas, quem tem a essência boa, se refaz, se reconstrói. Já o maldoso, vive no chão, porque ninguém consegue andar com uma alma aleijada.

* Jackeline de Lara, graduada em Pedagogia, especialista em Educação Especial e em  Educacão Infantil e Séries Iniciais, proprietária do Espaço Kids. Casada e mãe de duas lindas filhas.

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