Se conhecer, talvez seja a melhor aventura que alguém possa vir a fazer

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Por Jackeline de Lara*

A vida às vezes nos parece tão sublime e extraordinária, momentos de realizações, paz familiar, bons amigos, é como se fosse uma paisagem colorida, que encanta os olhos, um momento que deveria ser eternizado, e a alegria é tanta enquanto se vive, que só somos capazes de fazer uma releitura de tudo, nas fases em que as coisas já não são mais como eram, pelo menos ao nosso olhar.

É como se do nada começássemos a viver meio que paralelo a tudo, não apenas interagir, mas iniciasse em nós uma necessidade de também contemplar, de forma muitas vezes crítica, tudo o que nos envolve, e todos também, inclusive nós mesmos.

Começamos a separar momentos, coisas, pessoas por prioridade, é algo tão espontâneo e automático que às vezes assusta. Uma sensação de dever cumprido, misturada ao sentimento de despedida, talvez seja a maturidade chegando.

Percebemos que momentos antes tão encantadores com pessoas que ainda são importantes para nós, já não nos trazem mais o mesmo prazer, não nos move a comparecer, ou organizar encontros. A necessidade de estar só começa a crescer em nós e a ser tão prazerosa que nos faz sentir egoístas, principalmente quando refletimos e chegamos a conclusão que o problema não está no outro, mas é nós que mudamos, mesmo sem nos dar conta dos reais motivos.

Não deixamos de amar os amigos, familiares, mas começamos a sentir uma necessidade de conviver com nosso interior, nossos pensamentos, ouvir nossos sentimentos, e amar essas horas diárias, o que muitas vezes causa estranheza e até mágoa naqueles que estavam tão acostumados com essa nova pessoa, cada dia mais desconhecida para o resto do grupo.

O consumismo deixa de ser importante, dando lugar à necessidade de sentir a vida, o eu, de olhar para dentro e saber quem está ali de verdade, o que realmente importa para essa pessoa que sempre viveu como bem lhe pareceu, sem fazer uma análise profunda do que realmente lhe importava, e pelo que deveria conduzir sua vida, surge ali uma necessidade de desacelerar, pois somente desacelerando se escuta, observa, enxerga, sente o odor, e vive com mais qualidade.

Quantas vezes vivemos a mil, e nem no quintal de casa tiramos um momento para sentar e tomar um café, acariciar o animal de estimação sem conversar ao telefone, ou receber uma visita, e até saindo às pressas?

Quantos de nós não conseguimos apenas organizar um armário, sem sentir que não está fazendo nada de útil? Ou cuidar de uma planta, com a alegria de vê-la crescendo, se desenvolvendo?

Vivemos o círculo vicioso do capitalismo, nossas reuniões são regadas a conversas sobre trabalho, troca de carro, viagens, dívidas, adquirir bens, e ou títulos, diplomas, cursos, o que tem levado até mesmo encontros de pessoas que se amam, a perderem o verdadeiro sabor da alegria, da paz, do amor.

É necessário reaprendermos a viver as pequenas coisas do cotidiano, como observar a mudança de um formato de uma nuvem, até o que realmente queremos para nós, pois muitos de nós ainda não sabemos, e nunca procurou saber. Se conhecer talvez seja a melhor aventura que alguém possa vir a fazer, provar o gosto de ser o que verdadeiramente é, sem se preocupar com os outros, com o tempo, apenas olhar um pouco para dentro, e fazer dali o que achar que deve ser feito.

* Jackeline de Lara, graduada em Pedagogia, especialista em Educação Especial e em  Educacão Infantil e Séries Iniciais, proprietária do Espaço Kids. Casada e mãe de duas lindas meninas.

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