MS tem 35 mil pacientes na fila por cirurgias no SUS; Dourados, 2,4 mil e Pais, 900 mil

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Pelo menos 35 mil cirurgias eletivas do Sistema Único de Saúde estão represadas em Mato Grosso do Sul. Os dados são do Conselho Federal de Medicina (CFM) e levam em conta os 79 municípios do Estado. Em Dourados a fila é de 2.452 procedimentos e no Brasil esse número passa de 900 mil, segundo o levantamento.

De acordo com a pesquisa, em 2016 entraram na fila 17.394 enquanto esse ano foram 15,7 mil. Desse total 21 mil são mulheres, 13,7 são homens e 480 não tiveram o sexo identificado. Os tipos de cirurgias com maior fila em MS são do campo da visão (15 mil), seguida pelo tipo de cirurgia do aparelho digestivo, órgãos anexos a parede abdominal (7.8 mil), cirurgias do aparelho circulatório (6 mil), cirurgia do aparelho geniturinário (5,2 mil), cirurgia reparadora (485) e cirurgia do sistema nervoso central e periférico (343).

Os procedimentos com maior fila são do tratamento cirurgico de varises (4,7 mi l), fotocoagulação a laser (3,9 mil), facoemulsificação com implante de lente intra-ocular dobravel (3,6 mil), colescistectomia videolaparoscopica (2,7 mil), topoplastia do transplante (2,3 mil), implante de protese anti-glaucomatosa e tratamento cirurgico de varizes -unilateral (1.045).

Nacional

De acordo com o levantamento, parte dos pacientes aguarda o procedimento há mais de 10 anos. A demora para realizar as cirurgias, afirmam especialistas, pode agravar o quadro dos pacientes. Segundo a entidade, o número de demandas represadas é provavelmente mais alto que os 900 mil apontados, já que somente 16 Estados e 10 capitais responderam. Há ainda a fila por procedimentos nos serviços de saúde federais.

O levantamento revela também que a quantidade de pessoas que aguardam cirurgia no sistema público é maior do que o medido pelo Ministério da Saúde. Em julho deste ano, a pasta divulgou a primeira lista única desse tipo de procedimento – antes disso, os números eram registrados só pelos Estados e municípios e nunca haviam sido centralizados.

Na ocasião, a pasta informou que a fila era de 804 mil solicitações no País. Na última semana, novo balanço apresentado pelo ministério apontou que, após avaliação feita pela ouvidoria, o número caiu para 667 mil pedidos porque havia duplicidade de cadastros na primeira lista.

“Tanto o número do ministério quanto o levantado pelo CFM são subestimados porque parte dos Estados não respondeu ou não tem os dados organizados. Há ainda aquelas pessoas que precisam da cirurgia, mas nem sequer têm acesso ao especialista que dá o encaminhamento”, destaca o presidente em exercício do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro.

O próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu ao jornal O Estado de S. Paulo haver falhas de informação nas listas passadas pelos governos locais à pasta. “Quando os Estados começaram a fazer mutirões, constatamos que a maioria das pessoas que passaram pelas cirurgias não constavam da lista inicial passada pelo Estado. Isso demonstra que nossa fila não era exata”, diz ele, referindo-se aos mutirões realizados pelos Estados com verba extra federal repassada após a criação da fila única, em julho.

Desequilíbrios

Os mutirões de cirurgias podem ajudar a aliviar as filas, mas não são a solução definitiva, alertam especialistas. Para Walter Cintra Ferreira, coordenador do Curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde da Fundação Getulio Vargas (FGV), os governos federal, estadual e municipal precisam investir na ampliação dos serviços de saúde, na melhor distribuição dos especialistas e na informatização da rede.

“Temos um sistema subdimensionado para a demanda que tem. Para piorar, os profissionais não estão distribuídos de forma equitativa pelo País. Há uma concentração muito grande de especialistas nos grandes centros, principalmente no Sul e no Sudeste”, avalia. “Os mutirões são plenamente válidos, mas é uma medida para mitigar uma situação de crise. A solução verdadeira está em investir em maior qualidade dos serviços públicos”, acrescenta.

Outro desafio é saber o tamanho real da fila. “Uma das coisas que falta ao SUS é integrar informações. Se tivéssemos todos os sistemas integrados, teríamos ideia melhor da demanda e das prioridades”, diz Ferreira.

De acordo com o CFM, uma fila maior na pesquisa não significa, necessariamente, ser pior no atendimento, mas, sim, que a regulação está melhor sistematizada. Alguns Estados que não responderam, por exemplo, justificaram não ter controle da demanda.

Dourados Agora

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