Obras prometem acabar com enchentes que levam prejuízos, esgoto e lixo a mosteiro em Dourados

Obras prometem acabar com enchentes que levam prejuízos, esgoto e lixo a mosteiro em Dourados

9 de abril de 2026 0 Por meums
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A ordem de serviço para obras de drenagem, pavimentação e recuperação asfáltica, assinada pela administração municipal na manhã desta quinta-feira, dia 09, no bairro Parque Alvorada, em Dourados, promete solucionar um problema com o qual Irmãs Clarissas convivem há 17 anos. São enxurradas que já provocaram uma série de prejuízos, com alagamentos que levam terra, lixo e esgoto para dentro do Mosteiro Santa Maria dos Anjos, o único da Ordem de Santa Clara de Mato Grosso do Sul, em que as religiosas vivem em clausura.

As obras que já começaram, estão concentradas na Rua Sargento Moisés Soares da Silva, que termina no portão do mosteiro. Em toda a extensão até o cruzamento com a Rua Amael Pompeu Filho, onde fica a Escola Aurora Pedroso de Camargo, será feita a instalação de equipamentos para que seja escoada a água da chuva através de galerias, antes que chegue em grande volume e com velocidade à moradia das Irmãs.

Ao todo, serão instalados 138,65 metros de extensão de galerias de águas pluviais, 25 poços de visita que são aqueles bueiros com tampa de ferro redondas para manutenção ou vistoria na rede; e 19 bocas de lobo, sendo a maioria as de abertura padrão ao lado do meio fio e três do tipo boca-de-dragão que são estruturas maiores de ferro instaladas de uma ponta a outra do pavimento.

Os trabalhos tiveram início com a instalação de quatro bocas de lobo convencionais nos cruzamentos com as Ruas Arthur Frantz e Cláudio Goelzer, que estão entre as mais movimentadas da região.

Obras iniciaram pela instalação de bocas de lobo no cruzamento das ruas Sargento Moisés Soares da Silva e Cláudio Goelzer. – Foto: Clara Medeiros.

ASFALTO

Com as obras de drenagem prontas, deve ter início o recapeamento da pavimentação, ao todo 4.670,62 m². “É asfalto muito antigo e que está em boa parte esburacado”, afirmou o prefeito Marçal Filho, durante cerimônia de assinatura da ordem de serviço em frente ao mosteiro, explicando que o serviço prevê a retirada da malha atual para colocar uma nova.

Também será feita a pavimentação de trechos de 2.942,50 m² das Ruas Olivo Waldemar Beker e Ramão Gomes de Matos, que ficam nas  imediações e ainda são de terra. Estão previstos no projeto mais 943,52 metros de meio-fio, 337,50 metros de calçamento, sinalização viária e acessibilidade.

Ao todo, a obra vai custar R$ 1,6 milhão em recursos do Governo Federal, com contrapartida do município. A empresa contratada para a execução é a Planacon Construtora LTDA.

Durante os trabalhos, haverá interrupções no tráfego, porém serão “muito poucas, localizadas e temporárias”, segundo o secretário municipal de Obras Púbicas, Jorge Luis de Lucia. “Nada que vá trazer tanto transtorno para a comunidade. E é uma obra rápida, se tudo correr como previsto, em seis meses nós estamos entregando tanto essa drenagem, quanto a pavimentação”, complementa.

Prefeito de Dourados, Marçal Filho assina ordem de serviço para início das obras em cerimônia em frente ao mosteiro. Foto: Clara Medeiros.

PREJUÍZOS AO MOSTEIRO

Atualmente, o cenário é de pouca estrutura de escoamento de água na região. No portão da instituição religiosa, existe uma boca de dragão que é insuficiente para dar vasão à água. “Quando chove bastante, aqui fica sendo o escoamento do bairro”, conta a Irmã Maria Rafaela da Rainha Imaculada, OSC (Ordem de Santa Clara), que é madre do Mosteiro Santa Maria dos Anjos

A água chega a atingir, pelo menos, um metro de altura na área interna da estrutura. “A gente tem que correr, abrir aquela porta ali da entrada, vir com balde e tentar [retirar a água]. E aí, com a água da rua vem tudo: vem esgoto, vem o lixo, vem tudo. E isso são 17 anos de enchentes. Sempre esse mesmo processo”, explica.

Ela pontua que mais transtornos e prejuízos provocados pela enxurrada. “Inunda o nosso refeitório, a gente já perdeu móveis, a água derrubou dois muros nossos”, relata. Ela ainda lembra o caso de uma Missa de Natal, em que três carros de fiéis que estacionaram para ir à missa, tiveram perda total após ficarem submersos na inundação.

A madre conta que há casos de árvores que tiveram as raízes expostas pela força da água que também leva a terra; há ainda erosões no quintal e tudo acaba escoando por um açude com peixes, que teve parte soterrada.

Chuva alaga área interna do mosteiro constantemente. Foto: Arquivo

QUEM SÃO AS IRMÃS CLARISSAS

No mosteiro moram 22 Irmãs Clarissas, a maioria de Dourados e região, mas também há de outros Estados. Todos os dias elas acordam às 04h45 para começar as orações. “Os nossos vizinhos estão acostumados já com o sino”, conta a madre, lembrando que o instrumento toca todas as vezes em que se reúnem.

Quando isso acontece, elas deixam todos os trabalhos da casa, para ficar em oração. “Nós rezamos a liturgia das horas, que são salmos bíblicos e leituras bíblicas que nós cantamos durante essas sete vezes durante o dia. Então a gente se recolhe por isso. A clausura é para essa finalidade, para podermos nos recolher e termos maior tempo para rezar”, explica Maria Rafaela.

“A clausura para nós não é para nós nos isolarmos, não é que nós vivemos uma vida alienada do mundo. Não é isso. É para a gente ter mais privacidade e mais tempo para rezar”, afirma a madre, lembrando que as grades atrás das quais ficam é apenas um símbolo disso.

Irmã Maria Rafaela da Rainha Imaculada, OSC, madre do Mosteiro Santa Maria dos Anjos. – Foto: Clara Medeiros / Dourados News. 

Dentro da residência, as irmãs tem espaços de área verde para ficar ao sol e fazer caminhadas. Elas ainda têm contato com pessoas que mandam os pedidos de oração e acompanham o noticiário.

EM CONSTANTE ORAÇÃO

“Nós não estamos alheias ao que está acontecendo, porque nós estamos, na verdade, no coração da humanidade para interceder. A gente vê tudo, todo esse sofrimento da humanidade. A nossa vocação é oferecer a nossa vida em prol das pessoas para poder consolar e aliviar um pouco esse sofrimento, esse peso”, pontua a madre.

Ela lembra como exemplo que atualmente as orações estão voltadas à preocupação com a epidemia de Chikungyunia que atinge a região. “A gente faz a nossa parte como cidadã, mas principalmente com as orações. Nós acompanhamos as notícias e nos colocamos diante de Jesus todos os dias, diante de Jesus sacramentado, colocamos toda a Diocese, toda a população de Dourados, as intenções do mundo inteiro.”, explica a madre.

MISSAS E VELAS

No mosteiro, elas fazem todas as tarefas, como cozinhar, lavar, passar, costurar, entre outros. Para manter a estrutura, ainda realizam trabalhos manuais, especialmente na fabricação de velas para os altares das igrejas.

“Nós estamos no tempo Pascal, os círios pascais nós produzimos aqui para o mosteiro, para a Diocese, mas também vendemos para outras Dioceses. Então, graças a Deus, está tendo um alcance maior. Vendemos muito para Campo Grande, São Paulo, Rio de Janeiro também, a gente conseguiu alcançar para vender esses círios, que também é o nosso modo de subsistência”, conta.

No mosteiro ainda são realizadas missas de segunda-feira a sábado às 6h e aos domingos e feriados às 7h. Toda a comunidade pode participar assistindo na capela, junto com as irmãs que tem seu espaço próprio para ficar, em oração por todos.

Fonte: Dourados News


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