Após denúncias de assédio, delegado Wellington deixa ouvidoria da Polícia Civil de MS
22 de abril de 2026Após denúncias de assédio moral e sexual por parte de alunas da Acadepol que vieram à tona em março deste ano, o ex-vereador de Campo Grande delegado Wellington Oliveira saiu do cargo de ouvidor-geral da Polícia Civil, conforme portaria publicada nesta quarta-feira (22).
De acordo com a publicação, Wellington ocupava a função de confiança símbolo DAPC-2. O afastamento foi a pedido e tem validade a partir da data de publicação.
Quem assume o cargo é a delegada Ana Cláudia Oliveira Marques Medina, diretora do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, em razão de não haver delegado titular lotado na referida Ouvidoria.
As duas portarias são assinadas pelo delegado-geral Lupérsio Degerone Lucio.
Férias após denúncias
Após denúncias de assédio sexual e assédio moral contra alunas da Academia da Polícia Civil, depois do concurso realizado no ano passado, o delegado Wellington de Oliveira entrou de férias.
A portaria das férias de Wellington foi publicada em 24 de março.
Denúncias de assédio
São oito salas nas quais o delegado Wellington ministra aulas — e, em todas, houve denúncia, por parte das alunas, de assédio sexual e moral. “Ele perguntou quanto tempo ficaria em um motel com alguém”, disse uma das alunas, revoltada.
Em outra ocasião, Wellington teria dito às alunas que elas teriam ‘cara’ para serem ótimas “prostitutas infiltradas”. “A revolta com esta situação é muito grande”, disse um aluno, que não quis se identificar. O delegado chegou a perguntar para uma das alunas sobre gostos sexuais e preferências com o marido.
Assédio moral
Além das denúncias de assédio sexual, teria ocorrido assédio moral. “Se não estão gostando, vão reclamar, mas não vai dar em nada, porque faço parte do Conselho da Polícia”, teria dito o delegado. Wellington de Oliveira ainda faz parte da Ouvidoria da Polícia Civil e integra o Grupo Técnico criado após o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte.
A denúncia de assédio foi feita à direção da Acadepol, que enviou o caso para a Corregedoria. Uma ata foi produzida e assinada por todos os ‘xerifes’ — que são os líderes de sala —, pelas vítimas e por outros alunos, que foram ouvidos como testemunhas.
O concurso da Polícia Civil ocorreu no fim do ano passado, e as aulas na Acadepol tiveram início no dia 27 de janeiro deste ano.
PCMS apura o caso
Todas as vítimas foram ouvidas por uma delegada, que fez o encaminhamento do caso. O Jornal Midiamax entrou em contato com a Corregedoria e a Polícia Civil sobre as denúncias.
Em nota, a Polícia Civil confirmou as denúncias e relatou que o delegado já concluiu as aulas. Além disso, a Corregedoria já apura a situação. Assim, nesta semana, testemunhas e vítimas devem prestar esclarecimentos.

