Vacina contra Chikungunya começa ser aplicada e Dourados terá drive-thru na sexta
28 de abril de 2026A aplicação da vacina contra a Febre Chikungunya começou em Dourados nesta segunda-feira, dia 27. Chegaram à cidade até o momento 4 mil doses que foram distribuídas tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena.
Para as aldeias foram enviadas 200 doses e a aplicação é feita por equipes da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena). Nesse primeiro dia, o imunizante chegou por volta de 09h45, porque os agentes locais do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) estavam em um encontro de alinhamento com as equipes de Brasília (DF).
Essa semana a imunização estará concentrada na UBS Jaguapiru 2 e entre os dias 04 e 08, passa a ser estendida também à UBS Bororó 2; com horário de atendimento das 7h às 13h. Na terça-feira, dia 05, haverá Dia D na Reserva e no sábado, dia 09, também haverá vacinação para tentar ampliar o público atendido.
As demais doses foram distribuídas na área urbana. Segundo a prefeitura, todas as 35 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) receberam vacinas e vão aplicar das 7h às 11h e das 13h às 17h.
As exceções são os postos do Jardim Maracanã, Parque do Lago 2, Idelfonso Pedroso e Jóquei Clube que imunizam das 7h às 19h.
Também há vacina disponível no PAM (Pronto Atendimento Médico) das 6h às 12h, e no feriado de sexta-feira, 1º maio, Dia do Trabalhador, haverá um drive-thru na sede da prefeitura das 8h às 12h.
TRIAGEM
Podem tomar a vacina, pessoas de 18 a 59 anos que não estejam incluídas nos grupos para os quais é contraindicada. Por isso, antes de receber a dose única, é feita uma triagem pela equipe de saúde que dura entre três e cinco minutos.
Os critérios seguem orientações do Instituto Butantan que desenvolveu o imunizante em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva.
Além daqueles que tem alergia quaisquer dos componentes, a vacina não deve ser aplicada em gestantes ou lactantes; faz uso atual de medicamentos imunossupressores, como corticoides em altas doses (>20mg/dia de prednisona), metotrexato, ciclosporina etc.; imunodeficiência congênita; uso de quimioterapia ou radioterapia.
Também estão nessa lista os transplantados de órgão sólido e de medula óssea há menos de 2 anos ou em uso de imunossupressão; indivíduo vivendo com HIV/ AIDS com imunossupressão grave (contagem de linfócitos T CD4 < 200 células/mm3); doenças autoimunes (ex.: lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide) em tratamento imunossupressor; outras condições clínicas que reduzam a imunidade.
Ainda estão incluídos quem tem condição médica mal controlada, duas ou mais condições crônicas como hipertensão arterial; diabetes mellitus; doença cardiovascular (ex.: insuficiência cardíaca, arritmia); doença pulmonar crônica (ex.: asma, DPOC, doença renal crônica; obesidade (IMC ≥30); doença hepática crônica; câncer (em tratamento ou remissão); outras comorbidades relevantes, a serem avaliadas pelo profissional.
Caso a pessoa tenha apenas uma das comorbidades, a imunização deve ser adiada somente em caso de ter tido chikungunya nos últimos 30 dias; estar com doença febril aguda grave (é preciso aguardar a remissão); ter recebido outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias ou de vírus inativado nos últimos 14 dias.
META
A meta de Sems (Secretaria Municipal de Saúde) é aplicar as 43 mil doses que devem ser encaminhadas a Dourados gradativamente à medida em que a população é imunizada. Esse montante corresponde a 27% do público-alvo.
Márcio Grei Figueiredo, secretário de Saúde. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
“O que a gente tem percebido com essa vacinação aonde já ocorreu é que não há mais que 25% a 30% de vacinação. Se nós conseguirmos isso, vai estar dentro da média. Mas, essa não é a nossa expectativa. A nossa expectativa é que vacinemos os mais de 40 mil elegíveis”, afirma o secretário, Márcio Grei de Figueiredo.
O prazo previsto para aplicação dos imunizantes é de 40 dias e o principal desafio, segundo Figueiredo, é fazer com que as pessoas entendam o quanto as vacinas são importantes no combate à Chikungunya, aliadas a outras estratégias de combate à epidemia da doença.
“Não é só a vacina, mas é importante que se a gente conseguir fazer o maior número, com certeza a gente vai ter menos pessoas contaminadas e menos pessoas que que se agravam e precisam de leito hospitalar”, complementa.
Marçal Filho, prefeito de Dourados. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
“É importante que as pessoas se vacinem porque isso evita não só das pessoas contraírem a doença, mas principalmente a superlotação que nós temos hoje da UPA [Unidade de Pronto Atendimento 24h] e do Hospital da Vida”, afirmou o prefeito Marçal Filho.
Segundo ele, o recolhimento de toneladas de lixo em áreas onde há maior incidência de casos, a ações de conscientização para que os moradores não deixem água parada e a queda na temperatura, tem impactado no número de casos.
O cenário na Reserva Indígena é de queda no registro de casos positivos e, em Dourados, uma estagnação no quantitativo de notificações.
O enfermeiro do Programa Melhor em Casa do PAM, Gerson de Almeida, 39, foi o primeiro da unidade a tomar o imunizante. “Mesmo todo o cuidado que a gente tem com a nossa casa, às vezes o nosso vizinho pode não estar tendo esse cuidado. E tendo esses muitos casos de mortes, quando saiu essa vacina chega a ser um alívio para a gente que não pegou a doença. A gente sabe a importância da vacina, todas as vacinas, principalmente essa agora que a gente está tendo essa epidemia”, pontuou.
Enfermeiro do Programa Melhor em Casa do PAM, Gerson de Almeida foi o primeiro a tomar a vacina. Foto: Clara Medeiros / Dourados News
MAIS UMA MORTE INVESTIGADA
Na manhã desta segunda-feira a prefeitura divulgou um novo informe com dados da epidemia de Chikungunya, com o registro de mais uma morte investigada pela doença, sendo um homem, de 50 anos, morador do Jardim Água Boa, sem comorbidade relatada.
Ao todo são três aguardando resultado de exame laboratorial para confirmação de diagnóstico e oito confirmadas para a doença. A maioria é indígena.
Fonte: Dourados News

