MPMS apura denúncia contra clínica onde paciente morreu após hemodiálise

MPMS apura denúncia contra clínica onde paciente morreu após hemodiálise

18 de maio de 2026 0 Por meums
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A Vigilância Sanitária Estadual autuou a clínica DaVita , onde um paciente morreu e outros 13 passaram mal após hemodiálise, na Rua 13 de Maio, bairro São Francisco. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) recebeu a denúncia e deve apurar as condições sanitárias da unidade de saúde.

No dia 27 de março, pacientes passaram mal durante procedimento de hemodiálise na clínica. Um deles morreu e outros dois foram intubados, segundo informações apuradas pelo Jornal Midiamax. Há suspeita de infecção bacteriana. A clínica já tinha sido alertada sobre o risco de infecção dois anos atrás.

Agentes da Vigilância Sanitária Estadual visitaram a clínica no dia 7 de maio e encontraram irregularidades que levaram à autuação do serviço. A clínica segue sob monitoramento e precisará corrigir falhas, segundo a Vigilância. O relatório da fiscalização foi enviado ao Ministério Público.

Já o MPMS pediu informações e documentos à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), à Vigilância Sanitária Estadual e à própria clínica. Eles pretendem apurar condições sanitárias, protocolos de biossegurança, eventual investigação epidemiológica em curso, ocorrência de infecção e medidas administrativas já adotadas.

Agora, a 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande aguarda as informações solicitadas para iniciar análise. “A partir desses elementos, poderão ser adotadas as medidas cabíveis, inclusive a eventual instauração de inquérito civil”, informa o MPMS.

Fiscalização

Amostras de água do sistema de tratamento da clínica foram coletadas, mas não registraram irregularidades na qualidade. Além disso, a Vigilância Sanitária Estadual informa que a reutilização de capilares para o mesmo paciente não é proibida. Os capilares servem como filtros da máquina de hemodiálise.

“O serviço pode fazer [o reuso de capilares], desde que mantenha processos rigorosos de limpeza e desinfecção”, informa nota da Vigilância Sanitária. Os filtros podem ser reutilizados até 20 vezes, “caso o capilar esteja íntegro e em pleno funcionamento”.

Pacientes e ex-funcionários da clínica informaram à reportagem que era comum os capilares arrebentarem no segundo uso, o que causava transtornos no tratamento. Além disso, eles relatam que os capilares só eram reutilizados em pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). A clínica DaVita nega.

Há dois anos, uma pessoa alertou a clínica DaVita sobre o assunto, em avaliação no Google. “Penso que precisam se preocupar mais com o risco de infecções, lavagens de capilares, desinfecção no local da fístula. Estão ocorrendo sempre infecções em corrente sanguínea, por favor, vejam isso mais de perto”, escreveu.

A Vigilância Sanitária Estadual não divulgou mais detalhes sobre as irregularidades encontradas durante a fiscalização, alegando que, “infelizmente”, não poderia fazê-lo “devido à lei de proteção de dados”.

3ª maior clínica de hemodiálise do SUS em MS

A clínica DaVita, no bairro São Francisco, em Campo Grande, é a terceira maior de Mato Grosso do Sul em atendimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A unidade possui 57 aparelhos de hemodiálise e atende 273 pessoas, com uso exclusivo do sistema público.

A segunda unidade da DaVita, na Rua Antônio Maria Coelho, é a segunda maior. Esta clínica destina 50 aparelhos de hemodiálise ao SUS, com 300 pacientes.

Inclusive, pacientes do interior de Mato Grosso do Sul são atendidos nessas unidades de saúde. Outra publicação expõe que, além de moradores da Capital, pessoas de outras 16 cidades do Estado são encaminhadas para hemodiálise na DaVita.

O Diário Oficial também mostra que a DaVita é conveniada a receber incentivo financeiro do Estado para a Atenção Especializada em Doença Renal Crônica, o que inclui custeio das sessões de hemodiálise e ampliação do acesso à diálise peritoneal para pacientes crônicos no SUS.

‘Fiscalização sanitária periódica’?

A SES (Secretaria Estadual de Saúde) afirma que “o processo de credenciamento e funcionamento dos serviços de diálise observa os critérios técnicos e sanitários”.

A Vigilância Sanitária Estadual é responsável por analisar condições estruturais, operacionais, assistenciais e documentais necessárias para autorizar o funcionamento dos serviços. Isso inclui recursos humanos, controle de infecção, qualidade da água para hemodiálise, manutenção de equipamentos e segurança do paciente.

Ainda conforme a SES, “os serviços permanecem submetidos à fiscalização sanitária periódica, realizada anualmente e/ou sempre que necessário, conforme avaliação de risco e normativas vigentes”.

O que diz a clínica?

Em nota enviada ao Jornal Midiamax, a clínica DaVita confirma ter recebido o relatório da Vigilância Sanitária. Confira o posicionamento na íntegra:

A clínica informa que recebeu relatório da Vigilância Sanitária com apontamentos que serão respondidos dentro do prazo determinado pelo órgão. Reforça, ainda, seu compromisso com a segurança, a qualidade do atendimento e o cuidado prestado em suas unidades.”
Fonte: Midia Max


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