Um alto funcionário iraniano alertou que o governo está preparado para uma guerra longa contra os EUA e sinalizou que está disposto a continuar atacando países do Golfo em um esforço para persuadi-los a convencer o presidente Donald Trump a recuar do conflito.
O alerta veio em uma entrevista exclusiva à CNN em Teerã com Kamal Kharazi, assessor de política externa do gabinete do líder supremo, que descartou a diplomacia por enquanto e disse que a guerra só terminará através de pressão econômica — sinalizando um endurecimento da posição do governo no décimo dia do conflito.
“Não vejo mais espaço para diplomacia. Porque Donald Trump vinha enganando os outros e não cumprindo suas promessas, e nós experimentamos isso em duas rodadas de negociações — enquanto estávamos negociando, eles nos atacaram”, disse Kharazi à CNN na segunda-feira (9).
“Não há espaço, a menos que a pressão econômica aumente a tal ponto que outros países intervenham para garantir o fim da agressão dos americanos e israelenses contra o Irã”, disse Kharazi, sugerindo que países árabes do Golfo e outros precisam pressionar os EUA para encerrar a guerra.
“Esta guerra tem produzido muita pressão — pressão econômica — sobre outros países, em termos de inflação e falta de energia. Portanto, se continuar, essa pressão aumentará ainda mais, e assim outros não terão escolha senão intervir”, afirmou.
Desde que Estados Unidos e Israel lançaram a guerra, o Irã atacou vários países no Oriente Médio. Teerã afirma que está mirando interesses americanos em nações do Golfo, mas prédios residenciais e aeroportos também têm sido repetidamente atingidos.
Os ataques iranianos exploraram a fragilidade do comércio global de energia, incluindo infraestrutura e rotas de transporte. O tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz praticamente colapsou, com os preços do petróleo bruto ultrapassando US$ 100 por barril na segunda-feira, abalando o bolso dos consumidores e o mercado de ações.
Estima-se que 20% do fornecimento mundial de petróleo tenha sido interrompido pelo conflito em andamento — cerca do dobro do recorde estabelecido durante a Crise de Suez (1956-1957), segundo dados históricos do Rapidan Energy Group.
A guerra não apenas interrompeu o fluxo de petróleo da região, como também praticamente eliminou a chamada “capacidade ociosa” do mercado energético — a quantidade de produção adicional que poderia ser rapidamente ativada em caso de necessidade.
Um porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disse no domingo que o Irã está usando 60% de seu poder de fogo para atacar bases americanas e “interesses estratégicos” na região.
Enquanto isso, Mojtaba Khamenei, segundo filho do ex-Líder Supremo Ali Khamenei, foi elevado ao cargo mais alto do país no fim de semana — um indicativo de que uma nova escalada do conflito é provável.
Questionado se as forças armadas iranianas e a liderança suprema estão unidas daqui para frente, Kharazi respondeu: “Sim, exatamente”.
“A responsabilidade do líder da República Islâmica do Irã é conduzir a capacidade de defesa do país, e portanto, assim como o aiatolá Khamenei fazia isso, agora o novo líder fará o mesmo”, disse ele.
Trump afirmou na semana passada que a nomeação de Khamenei como sucessor de seu pai seria “inaceitável” para ele.
“Isso não é da conta dele”, respondeu Kharazi.

