A zoação que eles adoram fazer com suas parceiras

A zoação que eles adoram fazer com suas parceiras

20 de agosto de 2018 0 Por meums
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Por Jackeline de Lara*

Gaslighting é um tipo de abuso psicológico, onde informações são distorcidas, inventadas, omitidas, no intuito de fazer a vítima acreditar que o que viu, os próprios sentimentos, e até o que presenciou, viveu, são infundados, ilusões, fazendo-a parecer ter, e até acreditar que está com insanidade mental.

A psicóloga Martha Stout afirma que sociopatas frequentemente usam táticas de gaslighting. Os sociopatas consistentemente transgridem os costumes sociais, descumprem as leis e exploram os outros, mas geralmente também são mentirosos, charmosos e convincentes ao negar as irregularidades que praticam. Assim, algumas pessoas que foram vítimas de sociopatas podem duvidar de suas próprias percepções. (Wikipédia)

Essa violência tão rotineira, que ocorre desde o início da humanidade, por pessoas desprovida de bom caráter, tem nome, e é crime, inclusive na década de 40, um filme foi feito, com o nome Gaslight, cujo roteiro, o esposo, apaga e acende luzes da casa tentando levar a esposa a acreditar que enlouqueceu.

Todas nós mulheres conhecemos outras mulheres que são, ou já foram chamadas de loucas por seus parceiros, amigos, chefes, familiares, mesmo que em tom de brincadeira. Acredito que toda mulher sem exceção, foi algum dia sabotada, de forma a questionar a própria saúde mental.

“Existe na sociedade uma hierarquia com domínio bem masculino, e os homens são mais encorajados a fazer gaslighting contra as mulheres”, Valeska Zanello, pesquisadora.

Uma prática muito comum, é o cara ser flagrado pela namorada, esposa, trocando mensagens com outra, ou até outras mulheres, e negar, dizer que são amigas, mesmo que haja troca de fotografias, inclusive sensuais, durante as conversas, que normalmente são apagadas. Outros são até pegos em flagrante, e continuam negando, e a vítima, com o passar dos dias, se vê questionando até que ponto é real o que ela muitas vezes viu com os próprios olhos.

Outra situação abominável, porém, rotineira é a tal da zoação que eles adoram fazer com suas parceiras. Beliscar a gordurinha da cintura dela, esconder algo importante como a chave do carro, publicar fotos que a façam se sentir mal, acariciar partes intimas, mesmo ela pedindo para parar, e quando a vê irritada, distorcem a briga, e ainda se fazem de vítimas, chamando -as de desequilibradas, loucas, grossas, mimadas, insuportáveis, etc.

Há homens que debocham de suas parceiras o tempo todo, seja da forma que ela cozinha, limpa a casa, administra o lar, tipo físico, profissão, sexualidade, salário, falta de profissão, é como se fosse o esporte preferido deles, e essas mulheres, mesmo se sentindo muitas vezes um lixo, estão tão acostumadas com toda essa situação, que passam a vida aguentando, mesmo que com a auto estima destruída cada dia mais, levando muitas, a viverem dopadas de antidepressivos.

Mulheres que convivem com homens assim, adoecem dia a dia, vivem estressadas, não têm ânimo e nem vontade de cuidar delas mesmas, dos filhos, da casa, estão sempre deprimidas, e até depressivas, e não sabem que estão vivendo um relacionamento abusivo, pensam que são maridos, namorados brincalhões, quando na verdade, são perversos, maldosos, maquiavélicos, e manipuladores.

É inadmissível, brincadeiras com alguém que não se diverte com elas, meu limite vai, até onde o seu começa, e enquanto, não apenas mulheres, mas um ser humano, precisamos primeiro conhecer nossos poucos direitos, e fazer valer cada um, enquanto lutamos pelos outros roubados, que ainda não conquistamos.

A necessidade de arregaçarmos as mangas, e não apenas buscarmos o respeito, para conosco, mas impor esse respeito a quem quer que seja, que queria conviver conosco, é de extrema necessidade, até porque é uma questão de saúde pública, pois está em jogo a saúde mental, emocional dessas mulheres.

Nosso papel, é não alimentar essa prática criminosa, não instigando brincadeiras assim com comentários, sorrisos, mas colocando o sujeito no lugar dele, seja quem for, falou mal de mulher, debochou, nossa função enquanto mulher, é demonstrar claramente o quanto nos repudia essa prática, o quanto causa mal estar, colocando a criatura desprezível no lugar dele.

Um mundo melhor se forma com atitudes, pensamentos, sentimentos, palavras melhores. É importante e necessário, reconstruir o papel da mulher na sociedade, e quem deve fazer isso somos nós, porque somente nós sabemos o que precisamos e queremos.

* Jackeline de Lara, graduada em Pedagogia, especialista em Educação Especial e em  Educacão Infantil e Séries Iniciais, proprietária do Espaço Kids. Casada e mãe de duas lindas filhas.


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