Judicialização de pedidos de remédios contra o câncer em MS alertou sobre roubos, diz Riedel
27 de abril de 2026O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), afirmou na manhã desta segunda-feira (27) que foi alertado pelo secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, sobre as possíveis fraudes na compra de medicamentos por via judicial reveladas em operação policial da semana passada.
A fala foi durante discurso em evento de inauguração de ala do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande. Cinco pessoas foram presas na Operação OncoJuris, na última quinta-feira (23).
“Maurício me trouxe, uns quatro ou cinco meses atrás: ‘Estou preocupado com o nível de judicialização’. Detectou um medicamento específico, oncológico, vindo não sei de onde. E, nesse caso específico, nós acionamos a Polícia [Civil], [que realizou] quatro meses de investigação, e daí [houve] a operação”, declarou.
Segundo o governador, apenas em 2025, o Estado pagou mais de R$ 100 milhões em medicamentos solicitados na Justiça. Ele não especificou qual remédio nem quanto foi gasto na compra deste que motivou a ação policial.
Operação desmonta esquema de fraude na compra de medicamentos por via judicial
Em 23 de abril de 2026, o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) — da PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) — com apoio da Receita Federal e CGU (Controladoria-Geral da União), realizou a Operação OncoJuris, contra uma organização criminosa que fraudava a compra de medicamentos para a saúde pública por meio da Justiça.
As empresas eram chamadas para ajudar a cumprir decisão judicial contra o Estado, que era obrigado a fornecer medicamentos a pacientes. Eram apresentados preços ao Judiciário que pareciam ser legais.
Para facilitar a fraude, dois servidores públicos que trabalhavam na Secretaria de Estado de Saúde e integrantes do núcleo jurídico direcionavam quais empresas participariam das ações judiciais. Os valores bloqueados eram então depositados diretamente nas contas dessas farmácias ou assessorias de importação previamente escolhidas.
Em vez de adquirir medicamentos conforme descrito nos processos, as empresas realizavam importações por meio de terceiros ou diretamente em nome dos pacientes, utilizando os CPFs deles. Os produtos eram comprados por valores bem menores, frequentemente sem registro sanitário ou controle adequado.
A diferença entre o valor judicialmente bloqueado e o custo real do medicamento gerava lucro ilegal para o grupo. O Estado arcava com altos valores, enquanto pacientes recebiam produtos sem garantia de procedência, eficácia ou segurança.
As investigações indicam que as chamadas taxas de serviço e assessoria chegavam a representar mais de 70% dos valores, podendo alcançar até 98% dos montantes liberados judicialmente, o que aponta para prejuízos milionários que ainda serão calculados.
Fonte:Jornal Midiamax

