Pesca esportiva movimenta R$ 3 bilhões no Brasil e Mato Grosso do Sul quer fatia maior desse mercado
23 de julho de 2026Mato Grosso do Sul produziu em 2025 um dos movimentos mais articulados do turismo de pesca no Brasil: apresentou seus principais destinos no Fishing Show Brasil, em São Paulo, e encomendou à Fundação de Turismo do Estado (Fundtur/MS) um diagnóstico técnico que identificou Dourados como polo emergente do segmento. O resultado de ambas as iniciativas aponta na mesma direção. O Estado não quer apenas manter a posição que já ocupa no mapa da pesca esportiva nacional. Quer ampliá-la.
O contexto favorece a aposta. Segundo o Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo, elaborado pelo Ministério do Turismo e publicado em agosto de 2025, a pesca esportiva no Brasil envolve cerca de 8 milhões de praticantes, movimenta até R$ 3 bilhões por ano e responde por aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos. O setor integra o Plano Nacional de Turismo 2024-2027, com acesso facilitado ao Fundo Geral do Turismo (Fungetur) para empreendimentos náuticos e de serviços ligados à atividade. Pescadores estrangeiros também ganham mais facilidade para chegar ao Brasil: desde novembro de 2025, a Licença de Pesca Amadora e Esportiva para não brasileiros pode ser emitida pelo portal Gov.br usando apenas o passaporte, sem exigência de CPF.
O crescimento do turismo de pesca em Dourados também aumenta o fluxo de visitantes que chegam pelo aeroporto municipal ou por Campo Grande. Para pescadores que viajam de avião, seja para chegar a Dourados ou para explorar outros destinos do país, conhecer os próprios direitos em caso de atraso ou cancelamento de voo é parte do planejamento da viagem. Um guia de direito do consumidor atraso de voo explica de forma clara o que a legislação brasileira garante ao passageiro nessas situações.
O Pantanal como referência e os novos territórios
Dentro do estado, o Pantanal continua sendo a referência mais conhecida. As espécies que habitam seus rios e corixos, com destaque para o dourado, o pacu, o pintado e o tucunaré, atraem pescadores de todo o Brasil e de países como Estados Unidos e Alemanha. Rogério Chelotti, turismólogo da Fundtur/MS, sintetizou essa vocação durante o Fishing Show Brasil 2025: “A pesca esportiva é uma atividade-chave para nosso estado, que une emoção, biodiversidade e sustentabilidade.”
O Rio Paraná, na fronteira com São Paulo e Paraná, completa o eixo mais maduro do turismo pesqueiro sul-mato-grossense. Mas o diagnóstico da Fundtur/MS aponta que o crescimento do setor depende justamente de ir além desses dois polos tradicionais, incorporando municípios que ainda não exploram seu potencial de forma organizada.
Dourados entra no mapa
A segunda maior cidade do Estado, com 225 km de Campo Grande, entrou recentemente nesse cálculo. A visita técnica da Fundtur MS a Dourados, solicitada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, produziu um levantamento que descreve um cenário com fundação sólida e espaço considerável para crescer.
Os rios Dourados e Brilhante são os principais atrativos naturais do município para a pesca esportiva, com ocorrência regular de dourado, pintado e piracanjuba. A estrutura de apoio já existe: Dourados tem aeroporto, rede hoteleira, comércio e serviços capazes de absorver visitantes. O segmento conta com cerca de 221 leitos voltados ao turismo de pesca e aproximadamente 20 condutores em atividade. A maior demanda se concentra entre março e maio e nos meses de setembro e outubro.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Antônio Freire, foi direto sobre o que o município pretende: “Nosso potencial para o turismo de pesca esportiva é muito grande e vamos focar esforços para explorar melhor esse setor, atraindo para Dourados pescadores de todo o Mato Grosso do Sul e de outros estados.”
A Fundtur, porém, não deixou o diagnóstico só no lado positivo. O levantamento aponta desafios concretos: maior integração entre prestadores de serviço, capacitação dos condutores, fortalecimento da divulgação e criação de roteiros que conectem pesca, hospedagem e gastronomia num produto turístico coerente. São lacunas conhecidas em destinos que ainda estão estruturando o segmento, e reconhecê-las é o primeiro passo para preenchê-las.
Sustentabilidade como pilar
Um elemento que atravessa todas as iniciativas do setor em Mato Grosso do Sul é a prática do “pesque e solte” (devolução do peixe ao rio após a captura, sem abate), amplamente adotada em torneios e roteiros turísticos do Estado. A prática não é apenas uma escolha ética. É o que garante a renovação dos estoques pesqueiros e, com isso, a viabilidade econômica da atividade no longo prazo.
O Ministério do Turismo destaca o Centro-Oeste como referência nacional em ordenamento da pesca esportiva, realização de torneios e adoção de práticas sustentáveis. Mato Grosso do Sul integra esse reconhecimento com naturalidade, dado o histórico de regulamentação da atividade no Pantanal e a participação do estado em feiras e eventos do setor como instrumento de posicionamento.
A inclusão de comunidades ribeirinhas e tradicionais na cadeia do turismo de pesca é outro vetor que o ministério incentiva. Guias locais, barqueiros e pousadas familiares deixam de ser coadjuvantes e passam a ocupar posição central no produto turístico, gerando renda e reduzindo pressão sobre práticas predatórias.
Maio como laboratório de diversificação
Dourados deu em maio de 2026 uma demonstração do que pode ser feito quando o turismo é tratado como política pública integrada. O município registrou 52 eventos no mês, crescimento de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior. A agenda combinou feiras, corridas de rua, a 60ª Expoagro, observação de aves, encontros de veículos antigos e atrações gastronômicas como o Torresmo Fest.
Freire descreveu o efeito prático desse movimento: “Dourados vive um momento muito importante no fortalecimento do turismo de eventos. Temos uma agenda cada vez mais diversificada, que contempla lazer, esporte, cultura, gastronomia e encontros técnicos e empresariais. Isso movimenta toda a cadeia econômica da cidade, desde hotéis, restaurantes e transporte até locação de espaços, comércio e prestação de serviços.”
A pesca esportiva entra nesse contexto como mais um segmento com potencial de ancoragem de visitantes, não como substituto de outras vocações, mas como complemento que amplia o tempo de permanência e diversifica o perfil de quem chega à cidade.

