Vereadores do Mato Grosso do Sul abordam os riscos da exploração de gás não convencional

Vereadores do Mato Grosso do Sul abordam os riscos da exploração de gás não convencional

10 de novembro de 2018 0 Por meums
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A exploração do gás de xisto e suas consequências foram tema central durante a tarde de quinta-feira (8) no Seminário dos Vereadores(as) do Mato Grosso do Sul 2018, em Campo Grande (MS). As equipes da Coalizão Não Fracking Brasil (COESUS) e 350.org Brasil ministraram oficinas técnicas e jurídicas para mais de 100 representantes do legislativo, executivo e setor produtivo do estado — entre eles prefeitos, vereadores, sindicatos e associações. O objetivo foi explicar como é realizado o fraturamento hidráulico e a importância de criar uma legislação que proíba a prática, que possibilita a extração de gás por meio de perfurações e injeções de fluídos hidráulicos radioativos e químicos no subsolo. Posteriormente, essas ações acabam por reduzir a capacidade produtiva do solo e o uso da superfície.

“Os grandes impactos do fracking, em um primeiro momento, são para a economia local as reservas de água potável e, além disso, algo que é muito importante aqui na região do Mato Grosso do Sul: a alimentação — proveniente da produção de soja e carne”, afirmou a agricultora e especialista da campanha Não Fracking Brasil, Dra. Suelita Röcker. “Atualmente, já foram leiloadas 26 cidades para a prática lesiva do frackingno Mato Grosso do Sul. Se concretizado, o fraturamento hidráulico pode contaminar toda a produção de agricultura e pecuária, causando mortes aos animais, problemas à saúde da população e sérias restrições fitossanitárias”, completou.

Suelita também destacou que, atualmente, o maior estado produtor de gado de corte do mundo e exportador de carne bovina, o estado de Victoria, na Austrália, proibiu o fracking. “Um dos grandes motivos foi evitar perdas produtivas e, especialmente, clientes no exterior. Garantindo assim, segurança e competitividade ao local”, explicou.

Após a fala da agricultora, o advogado e engenheiro, Dr. Rubens Born, esclareceu aos participantes a importância de criar e aprovar uma Lei Anti-fracking nos municípios — hoje aprovada em mais de 400 municípios do Brasil, especialmente produtores . “É dever do poder público precaver e prevenir os riscos e impactos à saúde humana que podem ser causados pela prática”, constatou. Além disso, Born destacou que “promover um ordenamento territorial que livre nossa carne e nossos produtos alimentícios da contaminação, é também exercer a defesa do consumidor”.

O vereador de Jateí (MS), Tingo (PSB), teve seu primeiro contato com as resultantes da prática durante o evento. “Esse seminário foi de extrema importância para todos os vereadores de Mato Grosso do Sul. Com certeza traremos as informações recebidas às Câmaras para não trazer o fracking para nosso estado”, afirmou. Já o vereador do município de Paranhos (MS), Milton Rogerio da Silva (PDT), enalteceu a importância de preservar o meio ambiente. “Este é o futuro das nossas gerações. Estaremos sempre à disposição e lutando em prol à essa causa aqui no estado”.


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